sábado, setembro 28

LOVE > DISTANCE

Um dia, aqui neste mesmo blog, prometi. Hoje, explico..ou tento explicar.



"Como consegues?"
Esta é a pergunta que mais vezes oiço quando digo que estou numa relação à distância.
Eu compreendo a preocupação das pessoas, o espanto das pessoas e até mesmo o cepticismo das pessoas, mas a verdade é que ouvir sempre a mesma coisa, cansa...
Cansa porque muitas pessoas não compreendem e ficam admiradas como é que é possível namorar à distância, se já "ao perto" é difícil.
Por isso, resolvi escrever este texto. Para tentar explicar como funciona uma relação à distância(segundo a minha experiência pessoal, claro) nos seus aspectos mais "técnicos" e, não deixando para trás toda a sua essência. Vou fazer como Miguel Esteves Cardoso e vou elogiar o amor, o amor no seu estado mais puro.

Uma relação, seja ela à distância ou não, tem de ter três bases fundamentais, sem as quais, nunca poderia funcionar(pelo menos normalmente). São elas: respeito, confiança e amor.
Primeiro, tem de haver respeito pelos valores e diferenças um do outro, pelos gostos e pela liberdade.
Depois, tem de haver confiança. Se não confiarmos na outra pessoa, nunca seremos "livres" e nunca amamos verdadeiramente. 
Em último, mas o mais importante, o amor.
Sem amor nada vale a pena. Quando o há, vale sempre.
É então, partindo desta premissa que tento explicar como funciona um "amor há distância".
Quando duas pessoas gostam muito uma da outra, fazem tudo ao seu alcance para manter a sua relação e enfrentam todas e quaisquer dificuldades, incluindo a distância. 

Tendo estas três bases, é preciso mais alguns "apetrechos" para uma relação à distância. 
Aguentar as saudades é talvez o mais importante e o que nos testa mais vezes. Aguentar as saudades é saber que não se pode estar com a pessoa todos os dias, é saber que por mais que queiramos, não é possível tocar na pessoa nesse mesmo instante. Não estamos a poucos minutos ou poucas horas de distância. Estamos a muitos e muitos quilómetros e temos de perceber e ajustar as nossas expectativas a esse facto.



Uma boa ajuda para combater as saudades é o skype. Acho que sem ele era mesmo complicado. Não era impossível, mas era complicado.
O skype tem uma importância inacreditável porque nos permite ver e ouvir em tempo real a outra pessoa. 
Nós passamos horas no skype. Falamos, conversamos, contamos como foi o dia, discutimos notícias, falamos sobre os nossos sonhos, contamos piadas, rimos, vemos vídeos, gozamos um com o outro, vemos programas de televisão, estudamos,...
Ele cozinha, e eu leio; ele arruma o quarto, e eu vejo um filme; ele vê uma série e eu organizo a minha roupa.
Sei lá, há tanta coisa que já fizemos pelo skype que é dificíl enumerar. Mas com isto eu só queria que percebessem que fazemos imensas coisas em conjunto e que passamos bastante tempo "juntos".
E ver aquele olhar maroto e aquele sorriso fofo ali à nossa frente, mesmo que por instantes, mesmo sendo através de um ecrã, 
vale a pena e sabe bem .
 E acontecem sempre coisas engraçadas, como no outro dia: ele estava a estudar e eu estava deitada na cama. Acabei por adormecer em frente ao ecrã. E ele ali do outro lado a "queimar pestanas", quando reparou, diz que eu já estava em sono profundo e não teve coragem de me acordar.(Momento amoroso este. :) )



Enfim...passando à frente:
Outra coisa importante é o "saber esperar".
Aceitar que só nos vamos voltar a ver "sabe Deus quando" pode ser difícil, mas temos de interiorizar e ter paciência. 
Custa, mas o tempo passa a correr, habituamos-nos à ideia, fazemos contagem decrescente e sem darmos conta, ele já cá está.

Outras coisas interessantes que me tenho vindo a aperceber deste tipo de relação é o facto de darmos muito valor ao tempo que passamos juntos.
Todas as horas, minutos e segundos são importantes.
Cada toque é como se fosse o primeiro e o último.
Não sei explicar. Sei apenas que é uma sensação única.



E quando nos reencontramos?
É fantástico! A sério, cada vez que o vou buscar ao aeroporto, fico nervosa, como se fosse uma míuda à espera da meia-noite para abrir os presentes de natal!
Mas é giro, é mesmo engraçado, tendo em conta que é sempre assim, apesar de já ter passado algum tempo desde que começamos a namorar.
É giro sentir aquela sensação de borboletas na barriga constantemente.


Nós mantemos-nos sempre em contacto durante o dia, na maior parte das vezes por mensagem. Eu sei o que ele está a fazer, para onde vai, com quem vai e ele também.
Óbvio que há ciuminhos, mas isso é normal e saudável em qualquer relação.
Mas uma vez mais, aqui entra a já falada confiança. :)

Outra coisa engraçada que já aconteceu nos últimos tempos é recriarmos outras formas de comunicação perdidas no tempo, como as cartas de amor.
As cartas de amor fazem-me lembrar aqueles amores de tempos antigos, que resistiam a tudo, inclusive à distância. Não havia telefones e muito menos skype. Escrever era a única maneira de trocar palavras.
Acredito mesmo que é das maneiras mais puras de comunicar.

Acho que o que nos mantém nesta relação, para lá de tudo o que já referi, é  termos a mesma força, a mesma convicção e querermos muito isto,
 os dois

E pronto, um dia, explico mais umas coisinhas, que isto só de uma vez não chega.
Além disso, acho que aos poucos, de várias formas, vou aqui desvendando alguns pormenores do nosso Amor à distância.

Só para terminar, queria só esclarecer mais uma dúvida que costuma ser constante.
Sim, é difícil. Aliás, é muito difícil.
Mas como disse, quando existe amor tudo vale sempre a pena.
:)



*Para o meu amor, Tu.


(P.s.: Este texto já foi escrito há algum tempo.
Hoje sinto algo ainda mais forte do que o que sentia na altura em que o escrevi :))

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